" Boa noite!
Sou o TGen/PILAV Silvestre dos Santos.
Como Presidente da Comissão de Inquérito
ao Incumprimento da Legalidade Democrática, criada há cerca de um
ano e meio pelas quatro Associações Profissionais de Militares (APM),
cumpre-me saudar e agradecer a presença dos Ex.ºs Sr.s convidados e
jornalistas.
Importa, antes de mais, fazer uma breve
aproximação ao que hoje nos trouxe aqui.
Em Outubro de 2006 foi publicamente dado
a conhecer o Relatório elaborado pela Comissão, à qual as APM me
concederam a honra de presidir.
Nele foram relatados inúmeros casos de
incumprimento da legalidade, omissões, condutas lesivas, falta de
actuação legislativa, etc., com o desrespeito continuado por mais de
40 diplomas, por parte de quem se convencionou designar por poder
político e político-militar.
O Relatório foi enviado a todos os
Órgãos de Soberania, às Chefias Militares e aos Partidos Políticos
com assento parlamentar. Para além disso, procedeu-se à sua entrega
às entidades que detêm a responsabilidade de avaliar sobre o
cumprimento da legalidade: Presidentes do Supremo Tribunal de
Justiça e do Tribunal Constitucional, Procurador-Geral da República
e Provedor de Justiça.
Na altura, o escândalo que o assunto
suscitou, face à dimensão do fenómeno, assim como pelo facto dos
responsáveis primeiros pelo incumprimento (Órgãos de Soberania, com
realce para o Governo e Chefias Militares) terem as suas obrigações
neste domínio claramente definidas, quer na Constituição, quer em
Leis estruturantes da República, determinou até a realização de um
programa “Prós e Contras” na RTP.
O balanço a fazer sobre a resolução dos
problemas associados ao incumprimento da legalidade é, infelizmente,
no ano que decorreu, exíguo: parecem
ter-se consolidado procedimentos que conduzirão ao pagamento
atempado do suplemento de embarque, e foi reconstituída a Comissão
de Apreciação que – passados mais de oito anos sobre a publicação
dos normativos que a permitem! – se julga ir concluir o processo de
reconstituição de carreiras dos militares prejudicados nas mesmas,
devido ao seu empenhamento no período de transição para a
democracia.
É necessário também realçar um
desenvolvimento recente: Foi dado a conhecer aos militares, através
de meios oficiais dos Ramos, um Memorando que comprometeria Suas
Ex.ªs o Ministro de Estado e das Finanças e o Ministro da Defesa
Nacional, bem como os Chefes de Estado-Maior, em soluções para
muitos dos problemas que assoberbam aqueles que servem o País nas
Forças Armadas.
Não deixa de ser curioso verificar o
cuidado com que a informação dada aos militares surge sempre nas
vésperas de uma qualquer iniciativa que visa exprimir publicamente o
seu desencanto e frustração. As APM são, entretanto, realistas e
optam por esperar os desenvolvimentos das matérias constantes no
referido Memorando.
Tudo o resto continua por fazer!
Durante o ano que passou após a
publicação do Relatório, acentuou-se seriamente a degradação do
estatuto da condição militar, configurando um
desrespeito continuado pela Lei n.º 11/89, “Bases gerais do
Estatuto da Condição Militar”:
carreiras, remunerações, regimes de voluntariado e de contrato,
assistência na doença, protecção na reforma, acção social
complementar, sem falar nos direitos de cidadania, em que assumem
particular significado as restrições acrescidas no Estatuto dos
Dirigentes Associativos introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 295/2007,
de 22 de Agosto.
Esta pressão constante de medidas – ou
da falta delas – têm conduzido a um mau-estar larvar entre os
militares, de muito mau prenúncio para o moral e coesão que deviam
ser preservados, e que o poder político-militar, contrariando todas
as evidências, nos acusa de sermos nós a pôr em causa.
Conforme compromisso de honra das APM e
da Comissão a que presido, foi dado tempo suficiente – um ano! - aos
diversos poderes para que, pelo menos, dessem indicações de que as
questões suscitadas iriam ser alvo da atenção que indiscutivelmente
merecem.
Tal não aconteceu!
Curiosamente, os poderes instituídos
remeteram-se a um silêncio total, ao mesmo tempo comprometedor e
esclarecedor, pois nem sequer vieram a público negar o que
expusemos. E não o fizeram pela simples razão de que o não podem
fazer, porque o seu teor é incontestável e indesmentível. Daí,
limitarem-se a “varrer o lixo para debaixo do tapete” ou a colocá-lo
na “gaveta do esquecimento”.
Foi por isso decidido pelas APM
prosseguir o caminho anteriormente planeado: actualizar o Relatório,
explicitar as acções requeridas e reenviá-lo aos Órgãos e Entidades
que anteriormente o receberam e dar a conhecer esta lamentável e
infeliz realidade às instâncias europeias que Portugal integra.
É esse Relatório actualizado que hoje
vos apresentamos.
Agradecendo a confiança em nós
depositada pelas Direcções das APM, em nome da Comissão, termino com
a firme convicção do cumprimento dos valores do nosso Juramento de
Fidelidade: MISSÃO CUMPRIDA! "
Vai-vos ser feito um breve resumo das
linhas principais deste Relatório, revisto e actualizado, pelo Cor.
Tasso de Figueiredo. Após isso, ficaremos à vossa disposição para
quaisquer esclarecimentos que entendam como necessários. "

Download do Relatório
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