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13 de
Dezembro de 2005
DOS
MILITARES AO POVO PORTUGUÊS
Caro
concidadão, |
No tempo das “Vacas
Gordas” os militares viram as suas condições de vida desvalorizadas.
Agora, em tempo de crise, foram usados como exemplo, sendo duplamente
prejudicados quando, por acto de justiça, deviam ser poupados na
essência da Condição Militar. |
Os militares,
cidadãos como vós, mas que se encontram ligados ao juramento, singular, de
guardar e fazer guardar a Constituição e defender Portugal, ainda que com
o sacrifício da própria vida, e que se predispuseram à condição de
permanente disponibilidade para o serviço, necessitam da sua atenção
num momento em que o respeito que vêm merecendo dos seus compatriotas pode
ser beliscado, devido à forma como o Governo os apresentou perante a
opinião pública, a qual tem vindo a ser bombardeada com uma campanha
alegadamente destinada a pôr fim a pretensos privilégios.
Das acções que
os militares sentiram a necessidade de protagonizar publicamente - de uma
forma digna e ordeira, não afectando em absolutamente nada a
operacionalidade das Forças Armadas e com total respeito pelas disposições
legais - foram realçados apenas aspectos marginais, escamoteando-se a
questão de fundo sempre presente nas suas posições.
Com efeito,
os militares nunca quiseram eximir-se aos sacrifícios impostos aos seus
concidadãos, pretendendo apenas que as eventuais medidas a adoptar
fossem a consequência de estudos conduzidos seriamente e não
decisões avulso, como tem vindo a acontecer, decisões essas que já estão a
provocar o agravamento dos problemas existentes do antecedente e que
ninguém resolve, até com reflexos directos sobre a operacionalidade das
Forças Armadas.
Tentando
fazê-lo aceitar mais facilmente os sacrifícios, o Governo procura desviar
a sua atenção para uma lógica de ataque ao que chama privilégios dos
Corpos Especiais do Estado, mas as consequências da degradação das
condições sociais de emprego afectarão todos os portugueses.
Todos temos
consciência de que para além dos que são conhecidos na Justiça, na
Administração Pública e na Equidade Fiscal, existem problemas
estruturais na nossa economia, que são a principal causa da
grave situação em que nos encontramos. No entanto, em nenhum campo podem
ser imputadas responsabilidades aos militares, antes pelo contrário:
·
Com uma despesa no sector da Defesa abaixo dos níveis Europeus, foram
injectados no País milhões de euros de Fundos da EU visando
precisamente requalificar empresas e trabalhadores, pouco cabendo ao
sector da Defesa Nacional e Forças Armadas. Que aconteceu aos que,
por acção ou omissão, permitiram que se desbaratasse essa oportunidade de
progresso?
·
Nos últimos 20 anos as Forças Armadas “emagreceram” para cerca de metade
os seus efectivos, constituindo-se como um exemplo ímpar de economia de
recursos a nível nacional, ao mesmo tempo que aumentaram a participação em
operações de Apoio à Paz pelo mundo fora. Mas isso não foi suficiente para
que os Governos, como era justo, mantivessem pelo menos o nível
retributivo dos militares com a paridade que tinham relativamente às
categorias profissionais de referência, verificando-se pelo contrário que
em alguns casos baixou para cerca de metade, degradando o seu estatuto,
consagrado na Lei das “bases gerais do estatuto da condição
militar”.
Mas o que é a
Condição Militar?
O que funda a
Condição Militar é o facto de serem apenas os militares, de entre todos os
portugueses, que ligam a sua própria existência à existência da Nação. Não
sendo o Estado, nem representando o Estado, os militares são os únicos
cidadãos que garantem, em última instância, com o sacrifício da própria
vida, a perenidade da Nação e do Estado. E sendo eles que controlam os
meios de impor a vontade pela força letal, são também o sustentáculo,
último, de toda a autoridade do Estado, devendo, assim, ser de facto
reconhecidos.
Outros podem
sujeitar-se pontualmente a semelhantes riscos, mas são os militares os
únicos que
assumem este
compromisso “contratual” da entrega da vida e da permanente
disponibilidade para o serviço, apenas se podendo eximir a ordens que
sejam consideradas crime.
E para que na
Nação continue a existir essa disponibilidade por parte de alguns
cidadãos, esse serviço deve merecer o maior reconhecimento público.
Sabe-se,
embora essa informação dificilmente chegue à opinião pública em geral, que
as condições de trabalho e de vida dos que servem o País nas Forças
Armadas se têm vindo a degradar.
Sabia, por
exemplo, que têm vindo a decrescer de forma muito significativa as
verbas colocadas à disposição das Forças Armadas? E que isso
vem implicando que elas tenham enormes dificuldades no cumprimento
de missões que têm a ver até com o interesse
público geral, como seja a fiscalização da Zona Económica Exclusiva, bem
como na formação e no treino do seu pessoal e na obtenção dos equipamentos
adequados às responsabilidades que lhes estão cometidas?
Por outro
lado, a grande maioria dos portugueses desconhece o leque vastíssimo de
restrições e deveres a que são sujeitos os militares e que há
direitos, de que usufruem os trabalhadores de qualquer regime, a que os
militares não têm acesso. Sabia, por exemplo, que os militares:
·
Têm que se subordinar à hierarquia militar, sujeitar-se a um muito duro
regime disciplinar, com o cumprimento de pesadas penas privativas da
liberdade, antes mesmo que seja conhecido o resultado do recurso da
decisão ou transição em julgado de eventuais sentenças e assegurar uma
permanente disponibilidade para o serviço, ainda que com sacrifício de
interesses pessoais?
·
Têm os seus
direitos de cidadania e liberdades restringidos,
como vem acontecendo de forma arbitrária e persecutória, o que ainda por
cima não podia nem devia ser usado para degradar ainda mais o seu Estatuto
profissional ?
·
Não têm direito ao pagamento do trabalho extraordinário, não
usufruem do regime juridico relativo à Segurança, Higiene e Saúde
no trabalho e são deslocados com frequência, por vários
anos, para fora da sua área habitual de residência, implicando
um penoso afastamento da sua família. A titulo meramente exemplificativo:
os militares estão sujeitos a escalas de serviço,
muitas delas de interesse geral directo (gestão de
espaço aéreo, busca e salvamento, fiscalização da zona económica, etc.),
em que, por cada militar, das centenas que diariamente são
escalados, o Estado poupa uma média de 100.000 euros/ano em horas
extraordinárias.
Por isto e por
muito mais, a Lei consagra para os militares “especiais direitos,
compensações e regalias, designadamente nos campos da segurança social,
assistência, remunerações, cobertura de riscos, carreiras e formação”,
como contrapartida aos inúmeros deveres e restrições que lhes são
impostos, uns e outros constantes no Estatuto da Condição Militar.
Na realidade,
caro concidadão, o Governo não levou em consideração uma questão
elementar: os escassos direitos que servem de contrapartida ao
número vastíssimo de deveres e restrições impostos aos militares estão
estreitamente associados à operacionalidade das Forças Armadas. Ao
retirá-los ou reduzi-los o Governo está a;
·
Fazer com que decresça e de forma muito acentuada a qualidade do serviço,
sem preço, que os militares se honram de prestar à sociedade que integram.
·
Ignorar que os militares são os únicos de entre os cidadãos que asseguram,
em última instância, com o sacrifício da própria vida, a Independência e a
Soberania Nacional.
O mesmo é
dizer que desvalorizou a função militar e aqueles que são os guardiães
dos Valores que devem presidir ao Bem-Estar e Segurança dos seus
concidadãos.
Concidadãos
com os quais sempre se identificaram e pelos quais arriscaram vidas e
carreiras em momentos-chave da nossa História!
Defenda os
Seus Direitos ! Defenda as Suas Forças Armadas
! Defenda Portugal ! |