Associações Profissionais de Militares

Conferência de Imprensa

(2005JUN07)

 

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OS MILITARES E AS MEDIDAS DO GOVERNO

 

1.      As associações profissionais de militares (APM) reuniram em 3 de Junho passado para análise das medidas aprovadas pelo Governo no dia 2 e deram de imediato pública conta do profundo descontentamento e indignação que grassam entre todas as categorias dos militares no que a essa questão respeita.

2.      Com efeito, as medidas anunciadas aparecem apenas associadas à intenção do Governo poupar dinheiro devido à eliminação de pretensos privilégios detidos pelos militares e outros corpos especiais, ignorando deliberadamente, à custa da imagem de quem serve o País nas Forças Armadas, que, no seu caso, o estatuto da condição militar (Lei nº 11/89, de 1 de Junho) lhes impõe um vastíssimo leque de obrigações, conferindo-lhes, em contrapartida, “especiais direitos, compensações e regalias, designadamente nos campos da Segurança Social, assistência, remunerações, cobertura de riscos, carreiras e formação”.

3.      Num claro nivelamento por baixo – o que não se compreende muito bem face a um programa eleitoral com anunciadas preocupações sociais “ao nível do Norte da Europa” – os militares verão ajustados os princípios das suas segurança social e aposentação aos do regime geral, enquanto que a assistência na doença passará a cingir-se, numa primeira fase, às regras da ADSE.

4.      Simultaneamente, devem ser também afectados no que ao sistema retributivo e suplementos diz respeito, sofrendo igualmente consequências, a confirmarem-se as piores previsões, as respectivas carreiras.   

5.      Explicam-se essas medidas com as dificuldades que o País atravessa.

6.      Os militares sentem-se com toda a legitimidade para perguntar o que foi feito dos fundos europeus, chegados ao País desde há duas décadas, que era suposto permitirem a requalificação de empresas e de trabalhadores, bem como o que sucedeu aos que, por acção ou omissão, são responsáveis por esse espantoso esbanjamento de recursos, uma vez que as actuais dificuldades entroncam muito claramente nas insuficiências estruturais da nossa economia.

7.      Os militares têm também que questionar o facto das prometidas reformas - que, na Administração Pública em geral e nas Forças Armadas em particular, permitiriam operacionalizar funcionamentos e reduzir custos – nunca terem passado da fase das promessas por parte de sucessivos Governos dos chamados “partidos do arco do poder”.

8.      No que se refere às Forças Armadas, as APM sempre estiveram abertas e receptivas à mudança e pasmam pelo facto de todas as possibilidades de evolução terem vindo a ser sistematicamente adiadas ao longo de muitos anos.

9.      Os militares não podem deixar de recordar que, desde a instauração do regime democrático – que, permitem-se lembrá-lo, a eles muito se deve! – foram perdendo, de forma muito significativa,  estatuto social em relação às categorias que lhes servem tradicionalmente de referência.

10.  Por outro lado, as medidas foram aprovadas sem que anteriormente ou até posteriormente, como veio a acontecer para as instituições que têm assento no Conselho de Concertação Social, o Governo tivesse o cuidado de expor aos militares, com algum detalhe, o que julga vir a suceder, nomeadamente na sequência dos casos em que apesar de tudo manifesta a intenção de proceder a alguns estudos.

11.  As medidas aparecem, ainda, de forma avulsa, sem qualquer visão abrangente do enquadramento que as devia balizar, reforçando a certeza de que não se trata de reorganizar e racionalizar para melhorar serviços e condições.

12.  Em Maio de 2004 as APM entregaram na Assembleia da República uma petição subscrita por mais de 5.000 militares para que esta exercesse a sua acção fiscalizadora sobre o incumprimento do estatuto da condição militar que passa, inclusivamente, pelo desrespeito por leis aprovadas, livremente, por Governantes e Deputados.

13.  Passou um ano.

14.  O actual Governo procurou resolver os problemas (fluxos desiguais de carreira, injustiças – apenas as! - relativas no sistema retributivo, pensões de reforma, etc.) que vêm afectando os militares?

15.  Não! O Governo não resolve os problemas dos militares e reduz-lhes os direitos!

 

AS ASMIR, ANS, AOFA E APA

 

 

ASMIR – Associação de Militares na Reserva e Reforma – R. Elias Garcia, 45-47 – Apartado 76 – 2331 Entroncamento
Tel: 249 6 68 59
· Fax: 249 6 68 59  · E-mail: asmir@asmir.pt

 ANS – Associação Nacional de Sargentos – R. Barão de Sabrosa, 57 – 2º - 1900-088 Lisboa
Tel: 21 815 49 66
· Fax: 21 815 4958  · E-mail: geral@ans.pt

AOFA – Associação de Oficiais das Forças Armadas  – R. Infanta Dona Santa Isabel  - 2780 Oeiras
Tel: 21 44177 44
· Fax 21 440 68 02 · E-Mail: aofa@sapo.pt

 APA – Associação de Praças da Armada – Zona 2-A da Ameixoeira, Lote 12 – Loja B - 1750 Lisboa
Tel: 21 755 29 39
· Fax: 21 755 29 39 · E-Mail: geral@apracas.pt