Associações de Militares

               

COMUNICADO CONJUNTO

(2005SET09)

GOVERNO CIVIL DE LISBOA PROÍBE

MANIFESTAÇÃO DE MILITARES

 

As Associações Profissionais de Militares foram surpreendidas com uma Notificação do Governo Civil de Lisboa, proibindo a Manifestação de Militares convocada pelas ANS. AOFA e APA, para o próximo dia 13 de Setembro, com concentração na Praça Marquês de Pombal às 18h30 e início às 19h00, por, alegadamente, estar irregularmente convocada com base em dois argumentos:

  • pela natureza e pelo número de promotores; e
  • porque, segundo parecer do Senhor Ministro da Defesa Nacional, a Manifestação “tem natureza sindical e põe em causa a disciplina e coesão das Forças Armadas”.

Este facto é um dado novo, surpreendente, que comporta vários aspectos que importa realçar:

  1. O Governo, através do MDN e do Governo Civil de Lisboa, vem proibir um direito legal consagrado na Lei Orgânica 3/2001, de 29 de Agosto. Salientamos que a Constituição da República apenas restringe os direitos constitucionais aos cidadãos militares dentro da medida estritamente necessária, não permitindo a sua anulação, muito menos por despacho sem fundamentação legal.
  2. Trata-se de uma proibição de manifestação com contornos políticos e não formais, tal como sucedia antes do 25 de Abril de 1974, impensável no séc. XXI, mais de 30 anos após o fim do fascismo.
  3. A senhora Governadora Civil de Lisboa, não esquecendo o papel do Governo, é a responsável imediata pelas consequências futuras da sua decisão e por, após vários contactos efectuados no início da tarde de hoje, não ter dado os esclarecimentos necessários para, em tempo útil, o problema por ela colocado ser resolvido.
  4. O facto que releva do comportamento do Governo prende-se com a falta de estudos que confirmem, qualifiquem e quantifiquem o impacto que estas medidas, lesivas dos direitos adquiridos pelos cidadãos militares ao longo de gerações, têm no combate ao défice orçamental.
  5. Este pacote de medidas do Governo fere os princípios da certeza e da garantia, numa palavra, da confiança, em que se baseiam as sociedades civilizadas e que geram a estabilidade necessária ao seu desenvolvimento.
  1. A evidência de que o retrocesso do quadro legal e constitucional de direitos está a ser conduzido avulso, sem estudos de impacto que o suportem, resulta do facto de que ninguém, nem o sr. Engº Pinto de Sousa, Primeiro-ministro da República, sabe o que acontecerá em Janeiro de 2007, quando for levantado o congelamento imposto pela Lei 43/05 de 29 de Agosto. Ou seja: o Governo conduz-nos às cegas, por um caminho em que ninguém sabe como, nem por onde, vai.
  2. O sr Engº Pinto de Sousa, Primeiro-ministro da República, ainda não conseguiu explicar porque motivo aquilo que é mau para os portugueses é bom para Portugal.
  3. Por sua vez, o senhor Ministro da Defesa Nacional mais não visa do que, colocar sobre as Associações de Militares o anátema  da “instrumentalização política”, trazendo, assim, para o seio das Forças Armadas factores de desconfiança que ferem a coesão militar.
  4. Por outro lado, sendo ministro da tutela, ou tem, de facto, provas do que diz, e explica claramente como as obteve, tendo que tomar as medidas adequadas para  pôr cobro à situação, ou então afirma sem fundamentar, o que é grave, e o senhor Primeiro Ministro deverá tirar as ilações e consequências devidas.

10.      As Associações Profissionais de Militares, convocaram esta manifestação para dar expressão ao descontentamento, desmotivação e ansiedade que grassam nas unidades militares, e para evitar, precisamente, que esse mal-estar possa dar azo a casos de indisciplina e de quebra da coesão.

11.      As Associações Profissionais de Militares, não perdem entretanto a esperança de que o bom senso prevaleça e esta situação seja revista, sob pena de, a manter-se, responsabilizarem desde já o Governo e o seu Primeiro-ministro pelas consequências, dentro da Instituição e da Família Militar, que mais este acto irresponsável, de proibição do exercício de manifestação, possa vir a acarretar.

Unidos e determinados, os militares portugueses saberão defender os seus direitos e dignidade.

 

Lisboa, 09 de Setembro de 2005

 

As ANS, AOFA e APA

 

 ANS – Associação Nacional de Sargentos – R. Barão de Sabrosa, 57 – 2º - 1900-088 Lisboa
Tel: 21 815 49 66
· Fax: 21 815 4958  · E-mail: geral@ans.pt

AOFA – Associação de Oficiais das Forças Armadas  – R. Infanta Dona Santa Isabel  - 2780 Oeiras
Tel: 21 44177 44
· Fax 21 440 68 02 · E-Mail: aofa@sapo.pt

 APA – Associação de Praças da Armada – Zona 2-A da Ameixoeira, Lote 12 – Loja B - 1750 Lisboa
Tel: 21 755 29 39
· Fax: 21 755 29 39 · E-Mail: geral@apracas.pt