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Associações de Militares Comunicado Conjunto Nº 01 / 03 |
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Numa altura em que se aproxima o final de mais um ano, os militares portugueses que há décadas, com elevado profissionalismo, denodo e sentido de dever, vêm assegurando o funcionamento da Defesa Nacional não podem deixar de mostrar a sua profunda tristeza, desilusão e frustração com o actual quadro em que se encontram. Quando se pretende fazer crer (a nível interno e externo) que os problemas das Forças Armadas residem no nível de obsoletismo dos equipamentos, sem cuidar da componente mais importante que qualquer força armada dispõe – a componente humana – está-se a iludir a realidade e a adiar as necessárias e urgentes medidas que devem ser tomadas. Apesar de todos os contributos, sugestões, propostas que as associações representativas de militares têm seriamente apresentado como forma de resolver alguns dos problemas mais prementes, o facto é que as respostas tardam em chegar (nalguns casos com consequências muito graves se até ao final do ano não forem tomadas medidas, conforme compromisso assumido pela tutela). Os militares continuam sem ter mecanismos de carreira aceitáveis, continuam a ver o seu sistema de assistência na doença atrasar-se (particularmente no Exército), continuam a usufruir de um sistema retributivo obsoleto e distorcido (na equidade externa e interna), os militares que entretanto transitaram para a situação de reforma continuam à espera do seu complemento de pensão de reforma, enfim, um cenário nada consentâneo com a quadra que se avizinha. Para agudizar a situação, foi com espanto, perplexidade e profunda incomodidade que recentemente tomámos conhecimento da atitude por parte de alguma chefia (particularmente na Armada) que julgávamos já não ser possível nos dias de hoje, apenas possível de imaginar em períodos mais recuados da nossa história recente. A vida em democracia ainda não é vivida por todos os cidadãos portugueses. Não poderemos deixar passar em claro as ameaças e perseguições que ocorreram em 20 de Novembro passado.
Os militares portugueses, que não querem ser apenas mão de obra barata para a boa imagem do país no exterior, têm razões para acreditar que o Natal não será a tal época de paz, amor e prosperidade por tantos apregoada, mas que conscientemente se esquecem daqueles que tudo deram e continuam a dar em prol do país cuja bandeira um dia juraram, mas que será uma época de tristeza, pesar e luto pela forma menor como têm sido tratadas as suas questões mais prementes. Neste quadro, as associações signatárias deste comunicado decidem demonstrar o seu reiterado pesar através de um período de luto a decorrer entre 17 e 18 de Dezembro, período durante o qual se convidam os militares portugueses a usar gravata preta. Unidos e determinados, os militares portugueses saberão defender os seus direitos e dignidade.
Lisboa, 12 de Dezembro de 2003
As associações subscritoras,ANS e APA
ANS
– Associação Nacional de Sargentos – R. Barão de Sabrosa, 57 – 2º
- 1900-088 Lisboa APA
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Associação de Praças da Armada – Travessa do Cego, nº 1 A
– 1200-103 Lisboa
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