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COMUNICADO NACIONAL |
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Lisboa, 14 de Julho de 2001 Sobe a plenário, para votação final e global, na próxima 3ª feira
dia 17 de Julho a nova redacção do artigo 31º da Lei de Defesa Nacional e das
Forças Armadas (LDNFA) resultante do trabalho produzido pelos deputados em sede
da Comissão de Defesa Nacional. Ao fim de 19
anos de luta o artigo 31 da LDNFA vai finalmente ser revisto. Importa reflectir
sobre alguns aspectos positivos e negativos desta revisão. É de realçar o facto de dois dos partidos com
assento parlamentar, o PSD e o PP, que ainda há cerca de um ano eram contrários
a qualquer revisão deste artigo e para os quais a questão associativa constituía
quase um tabu, terem modificado a sua posição, para o que muito contribuiu
decerto a prática responsável das associações. Dado que a matéria de direitos, liberdades e
garantias exige maiorias qualificadas de dois terços dos deputados, pode ser
assim possível consagrar na lei o associativismo militar de carácter
socio-profissional, o que constituirá um importante marco digno de ser
assinalado. Das propostas dos partidos que estiveram na
base dos trabalhos da Conselho de Defesa Nacional (CDN), outro aspecto que
importa salientar é o espírito positivo que foi colocado na redacção.
Enquanto que na redacção anterior se privilegiava a negação do direito, na
proposta do PS que esteve na base da redacção final (á qual aliás ainda não
tivemos acesso) é privilegiada a afirmação do direito. As associações subscritoras, tendo sido
embora consultadas numa fase intermédia do processo lamentam o facto de terem
sido excluídas do final do mesmo e não terem podido contribuir para a redacção
do texto com a sua experiência associativa e militar. Pese embora o
marco histórico que poderá constituir o reconhecimento do associativismo
militar na vertente socio-profissional, as associações não podem deixar de
manifestar as suas preocupações quanto a uma revisão que fique aquém da prática
associativa actual, avolumadas pelo conhecimento de algumas propostas do PS e do
PSD sobre a matéria, partidos sem os quais qualquer revisão é inviável. Lamentam
ainda que a revisão tivesse conhecido maior celeridade devido a uma questão
marginal, o impropriamente chamado problema dos Pilotos da FAP, e não pela
excessiva restrição dos direitos de cidadania aos cidadãos militares. E chamam a atenção de todos os que apostaram
em resolver o problema da sangria de pilotos e de outros quadros (o que é quase
sempre omitido) por esta via, que o mesmo se irá manter, e provavelmente
agravar. Porque na sua origem estão a degradação das carreiras e das funções
dos militares, que, conjuntamente com a carência e o envelhecimento dos meios,
bem como a insuficiência de verbas para as despesas de funcionamento provocam
elevados índices de desmotivação e o desejo de abandonar as fileiras. A raiz
do problema mantém-se inalterada, infelizmente! Motivo de
grande preocupação é o facto de as associações ainda não terem
conhecimento do texto final aprovado pela CDN na passada 5ª feira dia 12JUL01.
Esta preocupação é avolumada pelo conhecimento de algumas disposições que
remetem para a possibilidade de o ónus das situações decorrentes da não
resolução dos problemas continuar a poder ser imputado aos chefes militares
que, como se sabe, não possuem meios para os resolver. Preocupação ainda pelo facto de muitos
artigos terem uma redacção vaga e ambígua, que se presta a prolongar a
possibilidade de dirigentes associativos correrem eventualmente riscos por
assumirem as suas responsabilidades. Estes são factos que têm constituído
factores de perturbação na quotidiano das unidades militares e que
provavelmente não serão completamente irradicados por as soluções das
associações não terem sido tidas em consideração. Contrariando as propostas de Sua Ex.a. o Senhor
Presidente da República, pelo facto de as associações terem sido afastadas da
parte final do processo de revisão, esta não constituirá um consenso
alargado, nacional e duradouro, mas um mero consenso aritmético, resultante
da soma dos votos dos deputados que a subscreverem. A estas preocupações soma-se a ausência de
respostas por parte de Sua Ex.a o Primeiro
Ministro para os problemas repetidamente colocados, relativamente ao
congestionamento das carreiras, às discriminações nos vencimentos no contexto
da Administração Pública (de que são exemplo a falta de equidade
relativamente ao Sistema Retributivo dos militares da GNR e o desfasamento
verificado comparativamente aos das categorias profissionais de referência) e a
ausência de um debate público e nacional em torno da Justiça Militar que
permita dotar a Instituição Militar com um conjunto de instrumentos jurídicos
e regulamentadores modernos e eficazes, em concordância com a actual Constituição
da República Portuguesa. Face
a estas preocupações as associações subscritoras decidiram o seguinte: 1.
Promover em conjunto
uma petição colectiva de cidadãos apelando à Comissão de Defesa Nacional
para que tenha em consideração as propostas sobre a matéria apresentadas
pelas associações subscritoras – desta petição já foram entregues na CDN
1.380 assinaturas na manhã do dia 12 de Julho, por uma comissão composta pelos
Presidentes ou vice-Presidentes das associações subscritoras; 2.
Solicitar uma audiência colectiva ao Presidente da CDN,
Eng. Eduardo Pereira, com carácter de urgência para esclarecimento das
preocupações das associações e da redacção final aprovada que ainda não
conhecem; 3.
Promover uma conferência de imprensa na próxima 2ª
feira dia 16 de Julho pelas 18h30 na Cooperativa Militar, sita na rua de São
José, em Lisboa, para esclarecer a opinião pública acerca da posição das
associações relativamente ao processo de revisão do artigo 31º da LDNFA; 4.
Promover uma jornada de reflexão à hora de almoço a
levar a cabo por todos os militares de Portugal e pelos militarizados da Marinha
no próximo dia 17JUL. Os temas de reflexão propostas pelas associações
subscritoras são: a.
O novo artigo 31º e o desenvolvimento associativo; b.
As formas de sensibilizar o Governo e o seu Primeiro
Ministro para resolverem os graves problemas com que a Instituição Militar e
os militares se debatem. 5.
Apelar a todos os militares para que participem nessa
jornada com a disciplina, a unidade e a elevação que são seu apanágio. 6.
Exortar todos
os militares a reforçarem a sua unidade e os níveis de participação na vida
associativa pela dignificação da função militar. As associações subscritoras ASMIR –
Associação dos Militares na Reserva e Reforma – R. Elias Garcia,
45-47 – Apartado 76 – 2331 Entroncamento ANS – Associação Nacional de Sargentos – R.
Barão de Sabrosa, 57 – 2º - 1900-088 Lisboa AOFA – Associação de Oficiais das Forças
Armadas – R. Infanta Dona Santa Isabel
- 2780 Oeiras APA – Associação de Praças da Armada – Trav.
da Peixeira, 22 – 1200-327
Lisboa
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